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Em Linhares, Grupo Resgate é opção de tratamento para dependentes químicos

17 de Jul de 2017 Autor: Caroline Pereira

Em Linhares, Grupo Resgate é opção de tratamento para dependentes químicos

Instituição oferece gratuitamente o acompanhamento especializado contra a dependência química e a prevenção à recaída 

Os recentes debates sobre o tratamento oferecido aos frequentadores da Cracolândia, um dos maiores espaços abertos de consumo de entorpecentes, localizado em São Paulo (SP), trouxe à tona a necessidade de se falar sobre os impactos do uso de drogas na vida das pessoas e também sobre os caminhos para o abandono do vício. Em Linhares, o reinício das obras do Centro de Tratamento de Toxicômanos (CTT) – um centro de referência no cuidado e assistência aos usuários de álcool, crack e outras substâncias – trouxe esperança a dezenas de dependentes e familiares de dependentes que querem buscar ajuda para romper com o vício. A obra está prevista para ser concluída em 180 dias.

Atualmente, os linharenses contam ainda com a opção de tratamento, oferecida pelo Grupo de Resgate São Francisco de Assis. A associação, sem fins lucrativos, trabalha há 13 anos com a missão de disseminar informações sobre a dependência química, a fim de tratar e prevenir o uso de drogas e possíveis recaídas.

O diretor da instituição, Altamir Ribeiro de Moura, conta que a entidade organiza grupos de autoajuda semanais (às quintas e sextas-feiras) e ainda mantém a Casa Resgate que, segundo ele, “é uma comunidade terapêutica destinada a acolher jovens e adultos do sexo masculino em uso indevido e indiscriminado de drogas lícitas e ilícitas, fornecendo a estes tratamento especializado contra a dependência química e prevenção à recaída, com acompanhamento de uma equipe especializada (composta por funcionários, voluntários, médicos e membros da Igreja Católica)”.

De acordo com Altamir, a capacidade máxima de atendimento do Grupo Resgate é de 45 acolhimentos (ou residentes) e hoje a casa abriga 35. O tratamento é oferecido de forma gratuita. “O projeto é mantido com doações voluntárias de pessoas civis e jurídicas e também formalizamos parcerias com a Prefeitura de Linhares. Em alguns períodos, já tivemos parcerias com o Governo do Estado”, lembra o diretor.

A proposta do plano terapêutico do Grupo Resgate é desenvolvida ao longo de oito meses. Durante esse período, as famílias podem fazer uma visita mensal aos acolhidos, que ocorre sempre no segundo domingo de cada mês. 

Como conseguir tratamento

Altamir explica que o interessado em participar do programa de recuperação proposto pelo Grupo Resgate deve entrar em contato com a instituição (confira os dados no Box) e marcar uma triagem, realizada por uma equipe técnica. “É necessário estar inserido dentro de um contexto familiar e seus familiares devem assumir o compromisso de também se tratarem, participando da recuperação, fazendo as visitas, frequentando os grupos de autoajuda, entre outros, uma vez que o codependente também adoece. Por isso, existem inúmeros grupos de apoio os quais os familiares devem participar”, completa Altamir. 

Ele informa ainda que o foco do Resgate é acolher dependentes químicos vindos de Linhares. No entanto, eles já receberam e ainda recebem pessoas de outros municípios. 

Contatos do Grupo Resgate (para informações sobre triagem e doações)

Telefone: (27) 99610-9975

Endereço: Rod. Dalmácio José Mage, km 04, bairro Farias, Linhares (ES)

“Minha família me deu uma nova chance e eu faço o possível para mostrar que vai valer a pena” 

O linharense Audir Titol, 53 anos, é um dos ex-dependentes recuperados pelo Grupo Resgate. Ele conta que o vício em drogas começou na juventude, com o consumo de cigarro, álcool, maconha e cocaína, e evolui para um quadro ainda mais grave com o crack, definida por ele como a droga da exclusão. “O crack faz com que você se afaste de tudo, especialmente da família e da vida em sociedade”, afirma.

A primeira passagem de Audir pelo Grupo Resgate se deu no ano de 2005, quando ele notou que estava perdendo o afeto da família e o trabalho. “Naquela época, o projeto tinha acabado de ser lançado a ainda não contava com a estrutura que tem hoje. Mesmo assim, consegui ficar sóbrio por quase oito anos”, relata.

Em 2011, depois de uma recaída, Audir buscou novamente a ajuda do Grupo Resgate que, segundo ele, já contava com um projeto de recuperação mais estruturado, cuja proposta estava baseada no abandono do vício e também numa mudança de vida. “O propósito era e é incentivar o participante a de fato ter uma vida nova”.

Recuperado, hoje Audir trabalha no setor de serviços gerais, atua como membro da diretoria do Grupo Resgate, é voluntário da própria instituição e, o mais importante, tem um convívio pleno com os entes queridos. “Minha família me deu uma nova chance e eu faço o possível para mostrar que vai valer a pena”.

Para os dependentes químicos e familiares de dependentes que estão em uma situação crítica, Audir dá os seguintes conselhos: “Ao dependente, digo que é difícil dar o primeiro passo, que consiste em admitir que você precisa de ajuda. Porém, esse passo é necessário na construção de uma nova história. O tratamento vale a pena e a sobriedade é maravilhosa, tanto para você quanto para aqueles que te amam e estão ao seu redor. Para a família, peço que nunca desistam do seu dependente. Lute por ele, porque vale a pena”, finaliza. 


 

 

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