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Médica de Linhares fala sobre os impactos do horário de verão na saúde

16 de Outubro de 2017 Autor: Caroline Pereira

Médica de Linhares fala sobre os impactos do horário de verão na saúde

Assim como as opiniões sobre o horário de verão se dividem entre os capixabas, os impactos dessa mudança na saúde e no bem-estar da população também podem variar. Há quem diga que a alteração nos relógios – adiantados em uma hora desde o último domingo (15) – não é capaz de afetar o seu dia a dia, mas também existem aqueles que, além do mau humor, apresentam insônia, cansaço, fadiga, entre outros sintomas, sempre associando-os à chegada desse período – marcado, especialmente, por dias mais longos.

De fato, o principal impacto do horário de verão na vida das pessoas está relacionado ao sono, conforme explica a médica reumatologista Geórgia Modenezi, que atua em Linhares. “O sono é modulado por alguns hormônios, e o nosso relógio biológico reconhece o dia pela claridade e a noite pela escuridão. Com a alteração provocada pelo horário de verão, tais hormônios são liberados de uma forma mais devagar. Ou seja, há uma descompensação desse relógio biológico e alguns sintomas podem surgir, como insônia, sonolência ao longo do dia, irritabilidade, cansaço, etc”, explica a médica. “Uma boa noite de sono é primordial. Se a pessoa não tem um sono reparador, de qualidade, isso vai atrapalhar suas atividades ao longo do dia”, completa. 

Como se adaptar

Segundo a especialista, a adaptação de um indivíduo ao novo esquema de horários pode levar entre sete a 10 dias. E para ajudar o organismo a entrar no ritmo com mais facilidade e até amenizar os sintomas relacionados à mudança, ela dá algumas recomendações, como a de ir para cama um pouco mais cedo que o de costume e compensar, aos poucos, a uma hora de sono perdida na alteração dos relógios.

As demais sugestões estão relacionadas à alimentação balanceada, ingestão de líquidos e prática moderada de exercícios físicos. “Não indico o uso de medicamentos para indução de sono na adaptação ao horário de verão, pois isso gera uma série de efeitos colaterais. Só vale se houver indicação médica para alguma patologia relacionada”, completa. Os tradicionais chás – de camomila, maracujá, etc –, são alternativas naturais e sugeridas pela especialista, pois possuem um efeito calmante. 

Cuidados

A maior incidência do sol em horários considerados noturnos, após o expediente de trabalho, por exemplo, estimula até os mais sedentários a praticar atividades físicas. Entretanto, aqueles que estão fora de forma devem manter um ritmo de exercícios bastante moderado, especialmente nessa fase de adaptação. “Se a pessoa já estiver acostumada a fazer exercícios de alta intensidade, não tem problema, mas quem vai iniciar uma atividade física tem que começar devagar, pois isso pode provocar uma liberação hormonal e prejudicar o sono”, alerta a médica.

Quem também deve redobrar os cuidados nesse período são os pacientes portadores de fibromialgia, síndrome que provoca dores por todo o corpo por longos períodos e que, segundo a dra Geórgia, prejudica a qualidade do sono dessas pessoas. Esses pacientes devem ser acompanhados de perto pelo médico para recomendações e tratamentos mais específicos.

Metade da população se sente mal no horário de verão

Uma pesquisa inédita do Instituto do Sono, da Universidade de São Paulo (USP), mostrou os efeitos da mudança provocada pelo horário de verão na saúde dos brasileiros. Ficou constatado que metade da população se sente mal nesse período. Os sintomas incluem mal-estar generalizado, sonolência ao longo do dia, dor de cabeça, insônia e até disfunções gástricas. Desses 50%, 25% se ajustam em mais ou menos um mês. Os outros 25% não se ajustam durante todo o horário de verão. A estimativa é que 130 milhões de pessoas tenham alterado os ponteiros de seus relógios por causa do horário de verão. 

Foto: Reprodução/Cpaps



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