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Comércio de Regência e Povoação ainda sofre no terceiro verão após chegada da lama

14 de Fevereiro de 2018 Autor: Rosi Ronquetti

Flávia Mantovani/G1 Comércio de Regência e Povoação ainda sofre no terceiro verão após chegada da lama Queda do movimento de pessoas em Regência é atribuída ao rompimento da barragem da Samarco, que atingiu as águas do Rio Doce e do mar

 

Mesmo com uma programação cultural diversificada,  número de turistas ainda não é grande como nos anos anteriores. “Está longe de ser o que já foi um dia”, revela dono de restaurante

Este foi terceiro verão após a chegada da lama de rejeitos da Samarco que atingiu as águas do Rio Doce e, consequentemente, o mar de Regência e Povoação. Dois anos após o rompimento da barragem de Mariana (MG), no dia 05 de novembro de 2015, comerciantes dos dois balneários ainda sofrem os efeitos da lama. Para alguns a atividade desenvolvida não existe mais.

É o caso da empresária Luciana Rodrigues da Cunha. Há 10 anos, Luciana montou uma empresa de passeios turísticos de barco e caiaques pelo Rio Doce. A principal atividade da empresa acabou junto com a chegada da lama. “Trabalho direto com a natureza e não recuperei nada. Se teve melhora, foi de 1%, ou nem isso. Os turistas têm vindo para cá. Nesse verão mesmo já tivemos um movimento bom, mas as pessoas não procuram os nossos serviços. Elas ainda têm medo”, relata Luciana.

A empresária disse ainda que recebeu indenização da Fundação Renova e que continua recebendo ajuda, mas isso não resolve. “Recebi a indenização, e eles continuam tocando os projetos e nos ajudando, mas no meu caso não adianta, não repõe o que perdi porque minha atividade acabou”, reitera 

Este ano, mesmo com programação de verão todos os finais de semana de janeiro e durante o todo carnaval, o número de turistas ficou muito aquém do que era antes. Jacinto Renato Ceolim, há 13 anos, montou um restaurante e um posto de combustível em Regência. Para ele, o movimento está longe de ser o que era antes da lama. “O verão em si teve um movimento considerável, com maior número de turistas em dias de grandes atrações. O carnaval foi com muitos turistas, mas não foi forte como nos anos anteriores. Já tivemos bem melhores. Ainda não recuperou o que era antes. Muitas pousadas não ocuparam todos os quartos. Já melhorou, mas está longe de ser o que já foi”, reforça Jacinto. 

 Quem compartilha da mesma opinião é a Célia Regina Vegna. A comerciante tem uma pousada e um restaurante em Regência e para ela o verão e o carnaval foram ruins. Ela reclama do valor repassado pela Fundação Renova.  “Poucos hóspedes, pouca procura no restaurante. O carnaval nunca foi tão ruim. Só temos movimento quando há alguma atração boa. Fora isso, o turista não vem. A Renova tem repassado um valor mensal, uma ajuda de custo que não resolve nada. Não consigo nem pagar as contas de energia e água com esse valor”, desabafa Célia.

Em Povoação, as histórias se repetem. Rosalba Maria Teixeira Magalhães tem uma pousada. Para ela, o carnaval e o verão foram bons, mas nada comparado com antes da chegada da lama. “O movimento caiu muito aqui em Povoação. Esse ano foi melhor, mas não recuperou o mesmo que era antes”, garante Rosalba.

O caso da Rose Leite dos Santos Sousa, dona de um restaurante, é ainda pior. Rose não conseguiu manter as portas abertas e fechou. “Durante o carnaval, recebemos aqui na vila 30% do número de turistas que recebíamos antes da lama, quase todos famílias que têm casa aqui. Turista mesmo de fora, como vinha antes, de Brasília, São Paulo e outros lugares, recebemos uns 3% do que vinha antes. Mas eu não consigo abrir meu restaurante, não tenho capital para fazer o negócio girar e também não adianta fazer se não tem ninguém para consumir”, diz a dona de casa.

Rose conta ainda que já fez o cadastro duas vezes na Renova, mas ainda não foi procurada. “Já fiz meu cadastro, duas vezes inclusive, mas até hoje nada. Na última vez que teve mutirão aqui eu fui até lá e meu nome nem na lista estava”, relata.

Sobre o questionamento da moradora, a Fundação Renova, por meio da Assessoria de Imprensa, informou que desde 2016 iniciou o cadastro integrado, com informações sociais e econômicas detalhadas das pessoas impactadas pelo rompimento da barragem e também está sendo realizada uma força-tarefa com atendimentos itinerantes em 12 localidades do estado, entre elas Povoação. A previsão é de que todas as pessoas que tiveram o processo de cadastro finalizado sejam atendidas até o final do primeiro semestre deste ano.

 



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