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Quando a doação é uma declaração maior de amor à vida!

27 de Setembro de 2017

Quando a doação é uma declaração maior de amor à vida!

Nesta quarta, 27 de setembro, celebramos o Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos. A data integra o "Setembro Verde", mês dedicado especialmente à sensibilização da população para a importância da doação de órgãos, incitando com que as pessoas conversem com seus familiares e amigos e estimulem a doação.

A disponibilidade para a doação de órgãos é fator inicial para que se inicie o processo de transplante. Por isso, sem doação não tem transplante, nem a chance de salvar vidas ou dar melhores condições e qualidade de vida a outras pessoas.

Para o sucesso do procedimento, são necessários: a identificação de doadores, o diagnóstico de morte encefálica, a manutenção das funções orgânicas para evitar uma parada cardíaca e a entrevista familiar para o aceite da doação. Se uma pessoa comunica a família, os amigos ou deixa um documento legalmente reconhecido por escrito que é doadora de órgãos, ela facilita a identificação da condição de doador e, consequentemente, melhores são as chances de um processo de transplantes bem-sucedido. Nesta trajetória, o tempo é um dos piores inimigos.

Pessoas vivas também podem ser doadoras de órgãos, mas apenas aqueles que são considerados "duplos", como um dos rins ou pulmões, parte do fígado, do pâncreas e da medula óssea. Esses são exemplos de órgãos que podem ser doados por pessoas ainda em vida, pois não prejudicarão as aptidões vitais do doador após o transplante, mas, obviamente, somente após todas as avaliações médicas necessárias. Se o doador for uma pessoa em óbito, diversos órgãos, como as córneas, rins, pulmões, fígado, coração, pâncreas, intestino, pele, ossos e tendões, podem ser doados.

O Brasil possui o maior sistema público de transplantes no mundo, segundo o Governo Federal. Em 2016, mais de 90% dos processos realizados no país foram financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), também de acordo com dados oficiais do Governo.

Se por um lado, no Brasil o sistema de transplantes é bem consolidado e regulado, com apoio do setor público aos programas e melhora progressiva nos resultados dos transplantes, por outro a oferta atual de doadores, não está acompanhando a demanda e gerando um déficit nas doações, elevados índices de recusa familiar à doação, grande disparidade entre Estados e regiões e baixo índice de notificações de morte encefálica, são algumas das causas apontadas. Essa é a análise da ABTO - Associação Brasileira de Transplante de Órgãos.

Ainda segundo a entidade, o Brasil obteve aumento de 3,5% na doação de órgãos de 2015 a 2016, atingindo 14,6 doadores por milhão de população (pmp). A título de comparação, a Espanha tem a melhor taxa do mundo, com 37 pmp.

No Espírito Santo, o transplante de córnea foi o mais realizado em 2016, com 327 procedimentos realizados, abaixo dos 354 pacientes que estavam na fila de espera. O Estado registrou a necessidade de 236 transplantes de rim, sendo que apenas 82 ocorreram, e 98 de fígado, com apenas 27 operações realizadas.

Outra notícia desafiadora é que o número de doadores efetivos por milhão da população vem caindo no Estado. Em 2012, eram 14,5 doadores para cada milhão de habitantes e em 2016 esse índice caiu para 11,5 doadores por milhão.

É importante enfatizar que as famílias não têm despesas com a doação. O processo é totalmente custeado pelo SUS. Além disso, quem doa órgãos e tecidos, está acima de tudo agindo para salvar vidas. Uma doação pode salvar e ou melhorar a vida de até 10 outras pessoas. Certamente, é um dos gestos mais nobre e comovente de solidariedade e uma forma incomparável de proclamar nosso amor à vida e ao próximo.

Fabiano Rangel 

FOTO: REPRODUÇÃO