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O homem do campo, nosso herói de todos os dias!

25 de Julho de 2017

O homem do campo, nosso herói de todos os dias!

"Reverenciar as pessoas que se dedicam ao cultivo da terra" e "o Brasil deve grande parte de sua prosperidade à economia agrícola". Essas foram as justificativas do presidente Juscelino Kubitschek para, em 1960, instituir o Dia do Agricultor, celebrado desde então no dia 28 de julho.

No entanto, não deveria ser preciso um decreto para lembrarmos da importância que tem o homem do campo no Brasil. Pequenos, médios ou grandes, são eles os principais responsáveis para que milhões de pessoas tenham alimentos e diversos outros bens, como vestuário, mobiliário, cosméticos e muitas outras coisas disponíveis em nossas casas.

Como já ouvi algumas vezes de um amigo agrônomo, "a agricultura não aguenta desaforo". Não por outra razão, muitos agricultores estão diariamente no campo cuidando de suas terras, faça chuva ou faça sol. Portanto, devemos muito a estes profissionais.

Há tempos que a economia nacional se sustenta do agronegócio. Soja, cana-de-açúcar e milho, compõem os três principais produtos da pauta de exportação das lavouras brasileiras e devem seguir sendo ainda por muito tempo. Porém, não é só da agricultura de escala que vive o campo brasileiro. Pelo contrário, agricultores familiares e pequenos são majoritariamente presentes nas culturas mais diversificadas.

Quinto menor estado brasileiro, o Espírito Santo é destaque na cultura do café, sendo o maior produtor nacional da variedade conilon ou robusta. Já o café arábica, colhido nas montanhas capixabas, é apreciado no mundo inteiro. No Brasil, o Espírito Santo só perde para Minas Gerais no volume do cultivo de café.

O Espírito Santo também se destaca na fruticultura, principalmente na produção de mamão papaya, em que é o maior exportador nacional. O Estado também é reconhecido em outras culturas, como abacaxi, goiaba, maracujá, morango e coco.

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento do Espírito Santo (SEDES), o agronegócio absorve mais de 30% da população economicamente ativa e responde por aproximadamente 30% do PIB do Estado, além de ser a atividade econômica mais importante em 80% dos seus municípios.

Portanto, se de um lado a agricultura é um dos motores de desenvolvimento do país e do Estado, elo fundamental para garantir a alimentação e insumos dos bens que precisamos, de outro imprime grandes desafios, seja pelas adversidades climáticas, seja pelo reconhecimento efetivo do homem do campo.

Infelizmente, notícias sobre condições de trabalho degradantes no campo ainda se fazem presentes. Outro grande desafio é tornar o campo uma atividade mais atrativa e capaz de reter as novas gerações e para isso, é preciso melhorar as perspectivas do setor, as condições de trabalho e avançar em novas tecnologias de produção.

Como dito, a agricultura não aguenta desaforo. Variações climáticas extremas são desafios constantes e cada tipo de cultura tem o seu "capricho climático" mais favorável. Por isso que em termos de sustentabilidade, atualmente muito se discute sobre a capacidade de adaptação das culturas às regiões, aprimoramento dos manejos agrícolas e do solo, que para ser sustentável precisa unir saberes e tecnologia conforme a especificidade de cada cultura.

Já existem consensos sobre o fato da agricultura ser o setor da economia que mais usa água. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que aproximadamente 70% de toda a água disponível no mundo é utilizada para irrigação e no Brasil pode chegar a 72%.

Dentro desse contexto, projetos de eficiência hídrica na agricultura se fazem urgentes. Em São Roque do Canaã, localizado a 120 km de Vitória, foi implantado em março deste ano um projeto piloto, apoiado pela Leão Alimentos e Bebidas e Coca-Cola Brasil, em parceria com a "startup" AgroSmart, criada nos berços da ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). O objetivo é aumentar a produtividade em 10% na produção de goiaba, com a redução de 30% no consumo de água. O projeto terá duração de três anos, com a instalação de sistemas tecnológicos de monitoramento, somado à orientação técnica e contínua para irrigação a 17 produtores na região, que além das condições climáticas considera a demanda específica de cada tipo de solo.

É certo que muito do PIB nacional se deve aos milhões de homens e mulheres que se dedicam ao cultivo de nosso solo fértil. Se o Brasil tem destaque na agricultura mundial e caminha a passos largos para a condição de principal país agrícola do planeta, que esse caminho seja traçado de forma sustentável e valorizando o agricultor, profissional de dedicação e amor ao que faz, sem o qual a nossa vida ficaria bem mais difícil. 

Fabiano Rangel

FOTO: REPRODUÇÃO